Gostava de ser azul
Andar num prado florido, jardim dos meus sonhos
Nesse castelo que vi,
O nosso castelo que ergui
Onde vagueio acordada num sono infinito
Deixaste-me aqui,
Mas eu queria conhecer a minha avo
Ela é linda, a mais bela dai
Contradizendo o fado, fiz-lhe um poema
Eles nao iriam gostar
Falava a verdade e a vontade que tinha de ela me embalar
Cantei aquela musica por ela, por ti, por mim
E tu tambem não vies-te.
E a historia repete-se
Ele grita
Ela chora
Ele bate
Ela reclama
Eles vão para a cama
Oiço-os eu
Entre espasmos e orgasmos
Enquanto eu me afogo
No cabo de Bartolomeu
Em pequena queria ser sereia
Os tubaroes abocanharam-me a a barbatana
Deixa-me navegar com a pequena-sereia
Dormir com o joão-pestana
Anjo escuro que já foste branco!
Deixa-me ser azul!
Deixa-me pedir desculpa a meu irmão
Que se fez colorir com um lápis de carvão
Quero ser inteligente,
Ser madura e persistente
Não ter o cerebro como toda a gente
Mas ter uma mente consistente,
Para as ideias que surgem em mim
O rubor surgia quando me tocavas
Tira-mo e vem tu
Olho para ti e consigo abrir as assas
E deixa-me voar
Que nao quero ser passaro livre
Que nao me importo de sismar
No ombral da tua janela
No tempo que dispensares para me ouvir cantar
Vida que deixou casca,
Em velha e insensata decomposição
Mostrar o que é amar de novo
Para eu recuperar o coração
Ou então deixa-me ser azul
Cor que me assenta bem
Canto o filme mudo
Atento á balada do tempo
Ponho o vestido de baile
E danço o requiem…
Por: Filipa Silva



