História da cinderela
Gostava de ser azul

Gostava de ser azul

Andar num prado florido, jardim dos meus sonhos

Nesse castelo que vi,

O nosso castelo que ergui

Onde vagueio acordada num sono infinito

Deixaste-me aqui,

Mas eu queria conhecer a minha avo

Ela é linda, a mais bela dai

Contradizendo o fado, fiz-lhe um poema

Eles nao iriam gostar

Falava a verdade e a vontade que tinha de ela me embalar

Cantei aquela musica por ela, por ti, por mim

E tu tambem não vies-te.

E a historia repete-se

Ele grita

Ela chora

Ele bate

Ela reclama

Eles vão para a cama

Oiço-os eu

Entre espasmos e orgasmos

Enquanto eu me afogo

No cabo de Bartolomeu

Em pequena queria ser sereia

Os tubaroes abocanharam-me a a barbatana

Deixa-me navegar com a pequena-sereia

Dormir com o joão-pestana

Anjo escuro que já foste branco!

Deixa-me ser azul!

Deixa-me pedir desculpa a meu irmão 

Que se fez colorir com um lápis de carvão

Quero ser inteligente, 

Ser madura e persistente

Não ter o cerebro como toda a gente

Mas ter uma mente consistente,

Para as ideias que surgem em  mim

O rubor surgia quando me tocavas

Tira-mo e vem tu 

Olho para ti e consigo abrir as assas

E deixa-me voar

Que nao quero ser passaro livre

Que nao me importo de sismar

No ombral da tua janela

No tempo que dispensares para me ouvir cantar

Vida que deixou casca,

Em velha e insensata decomposição

Mostrar o que é amar de novo

Para eu recuperar o coração

Ou então deixa-me ser azul

Cor que me assenta bem

Canto o filme mudo

Atento á balada do tempo

Ponho o vestido de baile

E danço o requiem…

Por: Filipa Silva

o que é que eu vou fazer hoje? dormir em cima do movel ou dormir debaixo da cama?

o que é que eu vou fazer hoje? dormir em cima do movel ou dormir debaixo da cama?

Dia de chuva

Eram seis horas da tarde, e, embora fosse inicio de Outono, o frio chegava prematuro.

Duas horas antes ela tomara um banho, perdera meia-hora para se pentear com dispendio igual de tempo para se maquilhar, o que não era seu costume, sendo o mais que punha no seu dia-a-dia seria um rimel e quanto muito um brilho hidratante para os labios, mas tambem não era costume dela ter um encontro…

“Talvez um rimel, base, claro, um pouco de sombra e um leve rouge cheguem.” pensou “Será que é demais?” seguido de “um coque ou cabelo solto? certamente ficaria mais atrevido e tentador…” observou ao espelho rindo, “mas um coque é mais elegante”.

o vestido entao, tivera que ser preparado na vespera, exclusivamente feito por ela, para aquele dia. “Será que me estou a esforçar em demasia?”, matutava na noite anterior, enquanto o costurava pela madrugada.

Com todos os preparos, chegou ao local do crime mesmo em cima da hora, com algumas paragens, acelerações e desacelerações, umas devido ás dores nos pés causadas pelos sapatos de saltos, outras no intuito de não chegar antes nem depois da hora.

E, voltando ao inicio, eram 18h, e , embora fosse inicio de Outono, o frio já predominava. E ele ainda não tinha chegado…

Quando já as 18h iam avançadas, começou a chover e ela reparou que nem se lembrara de trazer quarda-chuva, porque era esperado um dia de sol. Correu na tentativa de salvar o já edsfalecido cabelo e o vestido de musseline rosa, agora manchado, enquanto praguejava contra os Deuses, para debaixo do telheiro de alguma loja que embreve fecharia.

O olhar dela vacilava entre o chão e em todas as direcções, a primeiro por desanimo e como que arranjando desculpas para o atraso, a segunda quando sentia alguma oscilação anormal desapegada do temporal, na esperança de ser ele.

A chuva, cada vez mais forte, obrigava as pessoas a fugirem um carros, e aos desafortunados como ela que nao os tinham, a correrem de volta para os seus lares. E o vento que se fazia de seu acompanhante, com os seus uivos, reclinava as arvores sob respeitoso medo, e outras, folhas da estação para abrigar-se, tambem daquele assurro.

No decorrer das sete e mais que meia…”Ele vem. Só mais um pouco…” pensou enquanto atarefada compunha o penteado, tirando e pondo ganchos. Agora, já nem o telherio lhe concedia a protecção desejada. O cenario só piorava, parecendo, quase como se um estivesse a chamar o outro para saltar do pique do declive.

Ela pingando e tremendo, procurou abraçar-se e agarrar-se, para se não desprender, mas os braços que o seu corpo exigia não eram os seus. E eles não chegavam…

By:Filipa Silva